Quando a gente fala sobre os tratamentos na fibrose cística a primeira coisa que vem à cabeça é fisioterapia. Seguido de nutricionista, gastro, talvez psicólogo... mas EXERCÍCIO, TREINAMENTO, raramente aparecem na lista, e quando aparecem, não se sabe como fazer. E não é pra menos, já que se formos procurar na internet, quase não há  opção de exercício no tratamento, e quando há, são somente para crianças e raramente para adolescentes.

O primeiro estudo sobre o papel do exercício físico no tratamento da fibrose cística, feito em 1971, já revelava que a limitação de desempenho físico se devia exclusivamente pela mecânica pulmonar (ventilação). Pode parecer contraditório, mas a forma de melhorar isso é forçando: elevando a ventilação pulmonar, forçando cada vez mais e, consequentemente, aumentando ou mantendo a função pulmonar e atuando na melhora dos sintomas da doença.

Os exercícios aeróbicos regulares diminuem a resistência à insulina e a frequência cardíaca em repouso. Desta forma, programas de longa duração contendo exercícios aeróbicos preservam a função pulmonar e devem ser empregados no tratamento de adultos e crianças com Fibrose Cística.

Estudos revelaram que o exercício físico aeróbico regular ajuda a eliminar o muco nos pulmões, em função do aumento das vibrações e da ventilação pulmonar-VE, desobstrui e limpa as vias aéreas, reduz a lesão inflamatória no tecido pulmonar, ajuda no fortalecimento da musculatura respiratória e ajuda a regular os canais de sódio – Na+. Os estudos sobre os efeitos fisiológicos do exercício aeróbico regular indicam que o mesmo aumenta de forma significativa o VO2Máx, o FEV1, o VE e a CVF.

 

Já o treinamento de força muscular pode ajudar muito os pacientes com fibrose cística. Aliada à diminuição de massa magra, há a perda de força da musculatura respiratória, que aumenta ainda mais a limitação ao exercício.

Segundo Selvadurai et al. o treinamento de força é o melhor programa de exercício para aumentar a VEF1, a massa corporal, a massa livre de gordura e a força muscular de membros inferiores. Exercícios com peso para a musculatura dorsal, do pescoço, dos ombros, do peitoral e do abdome, aumentam a pressão intratorácica, facilitando a eliminação do muco e, em conjunto com alguns exercícios de fisioterapia, melhoram a elasticidade e a mobilidade da parede torácica.

O método HIIT é uma alternativa bastante viável e prática de exercício aeróbico, pois demanda pouco tempo por sessão e pode ser feito em qualquer lugar. O método consiste em treinamento com intervalos de alta intensidade e curta duração, intercalados com intervalos de baixa intensidade e maior duração.

Um exemplo clássico de HIIT são sessões de treino com tempos iguais de exercício e intervalo. Ex: corre 30seg e descansa 30seg repetindo isso por 6x.

 

A combinação de exercícios aeróbios com exercícios de força se mostra segura e de boa tolerância, mesmo para pacientes com VEF1 abaixo de 80%. Claro que há cuidados que devem ser tomados, como o acompanhamento da saturação de oxigênio e dos batimentos cardíacos em situações específicas, e a reposição de eletrólitos durante as sessões mais intensas ou realizadas em dias mais quentes de exercício. Mas, entre prós e contras, o exercício físico não só pode como deve fazer parte do tratamento da Fibrose Cística.

Aline Brito

Personal Trainer com foco em AUTOCUIDADO e BEM VIVER

Especialista em Musculação e Condicionamento Físico - Estácio de Sá

Bacharel em Educação Física - Universidade Federal de Santa Catarina