Cuidar da alimentação é um ponto muito importante para quem convive com a Fibrose Cística, afinal, o estado nutricional está diretamente relacionado com crescimento e desenvolvimento e com o bom funcionamento do pulmão. Por isso, é essencial estar com um bom IMC, peso e nutrientes em dia.

Para conseguir este adequado estado nutricional, são necessárias algumas estratégias alimentares que deverão ser individualizadas para cada paciente em consulta com nutricionista.

Além da melhora no consumo alimentar, o complemento com o uso de suplementos orais hipercalóricos ou alimentação via gastrostomia mostram um ótimo resultado no estado nutricional.

Para esta melhora, é importante seguir algumas recomendações:

-Boa quantidade de calorias: consumir preparações com alta densidade calórica, ou seja, preparações em que mesmo em uma pequena porção se consiga muitos nutrientes. Por exemplo, um sanduíche bem recheado com azeite de oliva, queijo, ovo, hambúrguer e salada;

-Alto teor de gorduras: devido à redução na absorção, a alta presença de gorduras é muito importante, devendo-se priorizar fontes de gordura boa como óleos vegetais não aquecidos, abacate, castanhas, etc.

-Elevada quantidade de proteínas: são necessárias principalmente para formação e força muscular. Assim, devem-se consumir quantidades significativas de carnes em geral, leite e derivados.

-Moderado consumo de carboidratos: é importante manter o consumo adequado de alimentos como arroz, macarrão, batata, farinhas, pães, etc. Porém, deve-se ter moderação nos alimentos doces e ricos em açúcares.

-Vitaminas e minerais: devido à insuficiência pancreática, doença hepática e má absorção intestinal, muitos indivíduos com FC estão em risco de deficiência de vitaminas lipossolúveis, e devem suplementar essas vitaminas. A suplementação deve ser ingerida juntamente com as enzimas pancreáticas e com alimentos ricos em gordura, visando melhorar a absorção. Além disso, deve-se manter uma alimentação muito variada e rica em frutas e verduras.

-Sódio: pacientes com FC apresentam perda excessiva de sódio através do suor, sendo a suplementação deste mineral fundamental no tratamento da doença. A perda de sódio em excesso pode levar à desidratação, que pode ser assintomática ou pode ser caracterizada pela diminuição do apetite, geralmente com falha no ganho de peso e crescimento, além de febre, vômito, irritabilidade e fraqueza.

-Enzima pancreática (Creon): é imprescindível consumir a enzima em todas as refeições e na quantidade correta (exceto fruta; abacate precisa) para a boa absorção de todo o consumo alimentar.

-Para lactentes com FC, a recomendação é para que se mantenha o aleitamento materno, pois já se reconhece a presença de moduladores do sistema imunológico, como imunoglobulinas protetoras, citocinas imunomoduladoras e anti-inflamatórias e lactoferrina antibacteriana antiviral, que demonstram influenciar o sistema imunológico anos após a interrupção da amamentação. Estudos mostram que bebês com FC que são amamentados têm melhor função pulmonar e menos infecções comparados aos que não foram amamentados (COLOMBO et al., 2007).

Portanto, frente a influência do estado nutricional sobre a doença, a adesão ao tratamento dietoterápico é de suma importância para o aumento da qualidade de vida, melhora da função pulmonar e da sobrevida desses pacientes.

Nutricionista Monique Ferreira Garcia

Estudante de Nutrição Letícia da Silva Brighente

 

REFERÊNCIAS UTILIZADAS

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