A fibrose cística é uma das milhares de doenças genéticas já observadas e estudadas. Isso significa dizer que não é possível contrair a doença, pois ela é o resultado de uma alteração no código genético de cada pessoa. Para que um indivíduo - homem ou mulher - desenvolva a FC, é necessário que os seus dois cromossomos 7 tenham uma cópia da mesma mutação ou duas cópias diferentes das mais de duas mil mutações já descobertas no gene CFTR. Geneticamente, esse comportamento é classificado como uma doença autossômica (não ligada ao cromossomos sexuais) e recessiva (precisa estar nos dois alelos do cromossomo para se manifestar).

Quando nasce uma criança com fibrose cística, ela é o que a genética na escola nos ensina por ‘aa’ para a doença. Se o pai e a mãe não possuem a doença, sua classificação é obrigatoriamente ‘Aa’, pois cada um deles precisa de um ‘a’ para transmitir ao filho ou filha. No cruzamento das possibilidades, a chance é de 25% de um indivíduo sem cópias do gene; 50% de ser portador de um gene e também poder transmitir essa cópia a um herdeiro ou herdeira; e 25% de receber a cópia do gene do pai e também da mãe, sendo esse indivíduo uma pessoa com fibrose cística. Ao gerar um segundo filho, o jogo volta ao zero e as possibilidades recomeçam.

Com o avanço dos estudos genéticos, além de calcular a probabilidade de ter um filho com fibrose cística, os cientistas perceberam diferenças entre as mutações e dividiram em seis classes distintas, classificadas de acordo com as alterações que ocasionam, quando o menor número significa maior gravidade:

  • Mutações de classe I inibem ou reduzem a produção de proteína. 12% das pessoas com fibrose cística nos EUA possuem um dos alelos dentro dessa classificação;

  • Mutações de classe II são as que a maturação da proteína é defeituosa. A mutação mais recorrente no mundo é a DeltaF508 e ela está dentro dessa categoria;

  • Mutações de classe III apresentam alteração na regulação do canal de Cloro, que é um dos responsáveis por deixar as secreções do corpo mais espessas. A proteína CFTR é produzida e transportada até a membrana, mas não responde à estimulação;

  • Mutações de classe IV também apresentam produção da proteína CFTR e sucesso no seu transporte até a membrana, porém geram um fluxo reduzido de Cloro. Isso equivale a 5% das pessoas com Fibrose Cística;

  • Mutações de classe V alteram a quantidade de proteínas na membrana, com um número reduzido. A porcentagem de pessoas que possuem pelo menos um dos genes nessa classe é 5%;

  • Mutações de classe VI foram descritas em 2005 e são mutações que causam o comprometimento da proteína devido à sua baixa estabilidade.

 

Os indivíduos com mutações dentro das classes I, II e III são considerados os de manifestação mais grave da doença. Entretanto, a diferença de classes de mutações não é o único fator para determinar a gravidade das manifestações clínicas. Fatores ambientais, psicológicos e adesão ao tratamento somam a todos esses números para formar um indivíduo com fibrose cística. Esse conjunto de alterações resulta em uma doença multissistêmica.

 Embora os sintomas sejam variáveis, as manifestações mais comuns são suor mais salgado que o normal, sintomas respiratórios como tosse crônica e pneumonia, e sintomas gastrointestinais através da diarreia e da dificuldade de ganho de peso. O suor mais salgado, que chega a ser percebido na boca ao encostar os lábios na pele de alguém com a doença, fez com que a fibrose cística ficasse conhecida como doença do beijo salgado.