As principais sociedades de especialidades médicas defendem que doentes
crônicos, como diabéticos e asmáticos graves, se vacinem a partir de amanhã (22)
contra a gripe suína como forma de prevenir quadros severos em uma eventual
segunda onda da doença neste ano.
Até sexta-feira, 13 milhões de pessoas com menos de 59 anos com esses e
outros problemas de saúde devem ser imunizadas, segundo o Ministério da Saúde.
Idosos doentes são o público-alvo da quarta etapa da estratégia.
"O vírus pode levar, mesmo quem está estável, a quadros drásticos", afirma
Antônio de Pádua Mansur, professor livre-docente do Instituto do Coração e
membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Ele destaca que
pessoas que sofreram um enfarte e tiveram comprometimento vascular têm especial
indicação da vacina. Mas um indivíduo que tem apenas hipertensão, controlada,
não.
Segundo o ministério, dos 4.434 casos confirmados em 2009, 21,6% (957)
apontaram alguma condição crônica. O grupo das doenças crônicas do pulmão, como
a asma grave, foi o mais frequente, com 20% dos casos. Entre os casos com alguma
condição crônica associada, 60,3% desenvolveram quadros graves e 20,6%
morreram.
Do grupo, fazem parte indivíduos com problemas pulmonares, cardiovasculares,
hepáticos, renais e distúrbios imunológicos graves, além de pessoas com
obesidade grau 3 (grande obesidade) e todos os diabéticos.
Os obesos de grau 3 são aqueles com Índice de Massa Corporal (peso dividido
pela altura ao quadrado) acima de 40, no caso de adultos. Têm grande risco se
contagiados pelo vírus da gripe suína porque já sofrem de dificuldades para
respirar, pois o excesso de gordura pressiona o diafragma e não permite uma
expansão pulmonar adequada, explica Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade
Brasileira de Endocrinologia. "É um paciente que tem dificuldade para
expectorar, mais propenso a infecções."
Já os diabéticos, enfatizam Meirelles e Mansur, têm suscetibilidade maior à
infecções por causa do comprometimento do sistema imunológico, além de problemas
vasculares.
Estudos com animais e autópsias demonstraram que o vírus H1N1, apesar de
benigno como o da gripe comum na maioria dos casos, atinge mais os pulmões do
que as vias respiratórias superiores. E causa com mais frequência pneumonias
virais, sem associação de infecções bacterianas. "Principalmente aqueles com
asma grave responderam mal à gripe suína", afirma Ricardo Martins, membro da
subcomissão de vírus da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Outras
doenças que causam danos à estrutura do pulmão, como Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica e fibrose cística, também têm especial indicação para a vacina.
O Ministério da Saúde orientou os Estados a não exigirem nenhum tipo de
atestado dos doentes crônicos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse
que pessoas que estão em dúvida sobre se devem tomar a vacina têm de procurar
orientação médica. Também afirmou acreditar no "bom senso" da população para
evitar vacinações desnecessárias. O secretário de vigilância em Saúde do
ministério, Gerson Penna, foi mais direto e disse que quem for para a fila da
vacina sem precisar deve se lembrar que está tirando o imunizante de quem mais
necessita.
Junto com a população doente crônica até 59 anos deverão ser imunizados,
nesta semana, crianças de 6 meses a 1 ano, 11 meses e 29 dias (4,5 milhões de
indivíduos) e parte das gestantes, estimadas em 3 milhões de mulheres. O último
grupo poderá se vacinar até o fim da megacampanha, em 21 de maio.
"É um vírus novo, para o qual grande parte da população é vulnerável, que
teve uma elevada incidência e causou um número considerado de óbitos", afirma
Suzana Dal-Ri, epidemiologista da Universidade Federal do Paraná, que defende a
vacina. Ela diz que as reações são raras. "Em mais de 100 milhões de doses não
tivemos eventos adversos."
Fonte: Jornal do Comércio