27/03/10-Médicos recomendam que doentes crônicos sejam imunizados E-mail
Médicos recomendam que doentes crônicos sejam imunizados

As principais sociedades de especialidades médicas defendem que doentes crônicos, como diabéticos e asmáticos graves, se vacinem a partir de amanhã (22) contra a gripe suína como forma de prevenir quadros severos em uma eventual segunda onda da doença neste ano.

Até sexta-feira, 13 milhões de pessoas com menos de 59 anos com esses e outros problemas de saúde devem ser imunizadas, segundo o Ministério da Saúde. Idosos doentes são o público-alvo da quarta etapa da estratégia.

"O vírus pode levar, mesmo quem está estável, a quadros drásticos", afirma Antônio de Pádua Mansur, professor livre-docente do Instituto do Coração e membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Ele destaca que pessoas que sofreram um enfarte e tiveram comprometimento vascular têm especial indicação da vacina. Mas um indivíduo que tem apenas hipertensão, controlada, não.

Segundo o ministério, dos 4.434 casos confirmados em 2009, 21,6% (957) apontaram alguma condição crônica. O grupo das doenças crônicas do pulmão, como a asma grave, foi o mais frequente, com 20% dos casos. Entre os casos com alguma condição crônica associada, 60,3% desenvolveram quadros graves e 20,6% morreram.

Do grupo, fazem parte indivíduos com problemas pulmonares, cardiovasculares, hepáticos, renais e distúrbios imunológicos graves, além de pessoas com obesidade grau 3 (grande obesidade) e todos os diabéticos.

Os obesos de grau 3 são aqueles com Índice de Massa Corporal (peso dividido pela altura ao quadrado) acima de 40, no caso de adultos. Têm grande risco se contagiados pelo vírus da gripe suína porque já sofrem de dificuldades para respirar, pois o excesso de gordura pressiona o diafragma e não permite uma expansão pulmonar adequada, explica Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. "É um paciente que tem dificuldade para expectorar, mais propenso a infecções."

Já os diabéticos, enfatizam Meirelles e Mansur, têm suscetibilidade maior à infecções por causa do comprometimento do sistema imunológico, além de problemas vasculares.

Estudos com animais e autópsias demonstraram que o vírus H1N1, apesar de benigno como o da gripe comum na maioria dos casos, atinge mais os pulmões do que as vias respiratórias superiores. E causa com mais frequência pneumonias virais, sem associação de infecções bacterianas. "Principalmente aqueles com asma grave responderam mal à gripe suína", afirma Ricardo Martins, membro da subcomissão de vírus da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Outras doenças que causam danos à estrutura do pulmão, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e fibrose cística, também têm especial indicação para a vacina.

O Ministério da Saúde orientou os Estados a não exigirem nenhum tipo de atestado dos doentes crônicos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que pessoas que estão em dúvida sobre se devem tomar a vacina têm de procurar orientação médica. Também afirmou acreditar no "bom senso" da população para evitar vacinações desnecessárias. O secretário de vigilância em Saúde do ministério, Gerson Penna, foi mais direto e disse que quem for para a fila da vacina sem precisar deve se lembrar que está tirando o imunizante de quem mais necessita.

Junto com a população doente crônica até 59 anos deverão ser imunizados, nesta semana, crianças de 6 meses a 1 ano, 11 meses e 29 dias (4,5 milhões de indivíduos) e parte das gestantes, estimadas em 3 milhões de mulheres. O último grupo poderá se vacinar até o fim da megacampanha, em 21 de maio.

"É um vírus novo, para o qual grande parte da população é vulnerável, que teve uma elevada incidência e causou um número considerado de óbitos", afirma Suzana Dal-Ri, epidemiologista da Universidade Federal do Paraná, que defende a vacina. Ela diz que as reações são raras. "Em mais de 100 milhões de doses não tivemos eventos adversos."

 

Fonte: Jornal do Comércio

 
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