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| 18/08/2010-Hospital do Nordeste credenciado para transplante de pulmão |
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Hospital de Messejana vai fazer transplante de pulmão
Após três anos de preparação, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart
Gomes está apto pelo Ministério da Saúde para realizar transplante de pulmão. O
feito coloca o Ceará como o quarto Estado brasileiro, após Rio Grande do Sul,
São Paulo e Minas Gerais, e o primeiro do Norte/Nordeste, a ser credenciado a
esse tipo de cirurgia. A novidade foi anunciada na manhã de ontem, em entrevista coletiva, pelo titular da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), José Arruda Bastos, e contou com as presenças da diretora geral do HM, Socorro Martins; o coordenador da unidade, Antero Gomes; e coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Eliana Barbosa. Com o carimbo que viabiliza o transplante do órgão, a equipe multidisciplinar do Hospital de Messejana oficializou o atendimento no ambulatório da unidade de Transplantes de Pulmão, atualmente com 15 pacientes em processo de avaliação. "Eles podem ser indicados ou não para serem incluídos na lista de espera estadual que ainda não possui ninguém", explica Antero Gomes Neto. Segundo ele, apenas os pacientes encaminhados por pneumologistas serão avaliados clinicamente. "Esse trabalho será feito com muita cautela e responsabilidade, seguindo todos os critérios do Protocolo de Transplante Pulmonar", disse. O transplante de pulmão, explica o médico, pode beneficiar pacientes com problemas pulmonares evolutivos que não respondem mais à medicação e necessitam de oxigenação artificial. Enquadram-se aí os portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, bronquiectasia, hipertensão pulmonar - males adquiridos ao longo da vida - e de fibrose cística, de origem congênita. Para estarem aptos ao transplante, esclarece Antero, esses pacientes precisam estar estáveis e em casa e não em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A cirurgia não é recomendada à pacientes com doenças sérias, como insuficiência renal ou hepática, HIV, diabetes melito insulino-dependente, câncer. A coordenadora da Unidade, Cyntia Viana, destaca que o procedimento vai aumentar a expectativa de vida de pacientes crônicos que antes não tinham condições físicas de ter uma vida normal. O Ceará só terá condições, pelo menos, no início, de realizar transplantes de doador com morte encefálica. DESAFIOS Captação de órgãos é considerada vulnerável O credenciamento para um procedimento como o transplante de pulmão é apenas o primeiro e mais fácil passo. A partir dele, avalia Antero Gomes, começam os maiores desafios que passam pela captação do órgão, considerado o mais vulnerável de todos, e pela agilidade da Central. A cirurgia de transplante de pulmão, informa, é complicada. O prazo decorrido entre a retirada do pulmão do doador e o implante no transplantado deve ser de, no máximo, seis horas. Além disso, o doador do órgão não pode estar conectado a respiração artificial por mais de três dias. "Uma outra restrição é a de que a medida do tórax do doador e do transplantado deve ter uma diferença de, no máximo, 20%",disse. Ainda existem complicadores como a manutenção do próprio órgão após a morte encefálica. De acordo com Antero Gomes, no Brasil, de cada 100 potenciais doadores, apenas dez órgãos estão em condições de ser transplantado. "No Canadá, por exemplo, esse percentual chega a 40%". A burocracia na autorização para captação e a rapidez com que a equipe da Central de Transplante age também contribuem para o sucesso. Por esta razão, informa, a coordenadora da Central, Eliana Barbosa, o Estado investiu na compra de seis aparelhos para o diagnóstico da morte encefálica, na capacitação da equipe e na compra de veículos para transportar os órgãos retirados. A conscientização da população foi salientada pelos médicos do HM. Mesmo o Ceará estando entre os que mais doem, é preciso campanhas para que as famílias possam autorizar a retirada dos órgãos para transplante. LÊDA GONÇALVES Repórte Fonte: Diário do Nordeste |
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