15/04/10-DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS E-mail
Promessas adiadas

Cientistas devem se aprimorar para interpretar DNA humano e entender melhor as doenças

Os estudos sobre o genoma humano viraram, de certa maneira, vítimas de seu próprio sucesso. Perto do aniversário de 10 anos do anúncio da primeira leitura completa do DNA, cientistas afirmam que a capacidade de soletrar o material genético alcançou velocidades inéditas, embora ainda seja difícil usar esses dados para prevenir e tratar doenças. Por isso mesmo, novos artigos dos americanos Francis Collins e Craig Venter na revista Nature soam como mais um adiamento das promessas médicas da área.

Collins, hoje diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, chefiou o Projeto Genoma Humano, pago com dinheiro público. Já Venter, agora no Instituto J. Craig Venter, na Califórnia, liderou o projeto privado que “empatou’’ com o de Collins ao produzir uma leitura alternativa do genoma.

Uma década após esse momento de glória, está cada vez mais fácil ler o código genético. Hoje, um genoma inteiro sai por US$ 5 mil, algo que facilita a identificação de genes ligados a doenças.

– Entre 1999 e 2009, ficou 14 mil vezes mais barato. Em 1989, tivemos sucesso na busca pelo gene da fibrose cística, após anos de trabalho e um investimento de US$ 50 milhões. Hoje, esse projeto poderia ser feito em poucos dias por um único pós-graduando com acesso à internet, amostras de DNA, alguns reagentes baratos e um sequenciador – diz Collins.

O problema é que doenças como a fibrose cística, causadas por mutações num único gene, são raras e pouco importantes para a saúde pública. Muito mais difícil é esmiuçar a contribuição genética para doenças comuns, como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares. Nesse ponto, a imensa quantidade de dados oriunda do genoma ainda não está ajudando muito.

– A tecnologia de sequenciamento do DNA avançou muito mais rápido do que a nossa capacidade de interpretar os dados. Agora é preciso que um exército de cientistas mundo afora estude cada pedaço dos dados que já temos do genoma, num trabalho menos glamouroso, mas muito importante – avalia Lygia da Veiga Pereira, bióloga da Universidade de São Paulo (USP).

O desafio que surge à frente de pesquisadores é enorme.

– Cada vez mais vemos quão complexo é o genoma – diz Emmanuel Dias Neto, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo.

Um ponto importante é a variabilidade entre as pessoas, lembra ele, que inclui não apenas trocas de uma única “letra’’ de DNA por vez como também o fato de que uma pessoa pode ter várias cópias de um pedaço de DNA, enquanto outra tem apenas uma.

– Como isso se manifesta nas mutações que levam a um tumor? Não sabemos bem – afirma Neto.

Para Eloiza Tajara, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, em São Paulo, outro esforço para que o genoma chegasse à clínica médica seria criar bancos de dados dos pacientes com itens como uso de cigarro e álcool, alimentação e estresse, para saber como genes e ambiente interagem nas doenças.

google_protectAndRun("render_ads.js::google_render_ad", google_handleError, google_render_ad); Fonte: Zero Hora
 
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